Aos meus poucos leitores

Por Tom Fernandes [eu mesmo]

Sim, eu sei. Talvez este seja um blog difícil de agradar. Amigos advogados querem que eu fale sobre linguagem jurídica, amigos matemáticos insistem que eu preciso dizer que a linguagem é pura matemática e a gramática não passa de estatística. Amigos médicos querem que eu mostre a importância ou não da nova nomenclatura dita universal.

Meus sobrinhos perguntam se acharão fotos de acidentes, da Tam, da Gol [ou até do doido que tentou jogar o avião contra o shopping aqui em Goiânia] ou o acidente dos mamonas assassinas, do Ronaldo trocando as bolas com travestis [ou de sua ex, a Daniela Cicareli fazendo estripulias na praia] ou da menina Isabela Nardoni morta, da menina torturada em Goiânia ou de qualquer outra celebridade do Big Brother nua. Meu primo recém-saído da adolescência quer dicas de como falar com as garotas, além de mp3, vídeos, fotos e séries para downloads.

Alguns amigos evangélicos querem estudo sobre o Apocalipse, sobre a Grande Tribulação e suas bestas, querem também saber se o Obama é ou não maçom, ou se é ou não muçulmano; querem também os livros grátis do Caio Fábio e do Ricardo Gondim, mas querem também saber se um é herege e se o outro apostatou, se um é agnóstico e se o outro crê no Teísmo Aberto. Sem contar que liberais e conservadores querem artigos que os defenda e acuse os adversários [peraí, o adversário não era outro?].

Amigos católicos querem saber se eu acho Agostinho e Aquino melhores que Calvino e Lutero. Não sei, nunca sentei com os quatro pra tomar um suco, um vinho ou uma cerveja. Nem quero saber de padre que virou evangélico ou se a Ana Paula Valadão está se convertendo ao catolicismo.

Alguns amigos querem que eu venda livros com descontos sensacionais pelo blog [uai, pra que serve um blog então?], outros querem livros escaneados ou pirateados para download [o fato de eu ser editor de livros não deve pesar em nada para eles]. Antigos alunos querem saber tudo sobre a nova ortografia, sobre o acordo e a reforma, além, é claro de dicas infalíveis pra passar em vestibular e concursos. Colegas, editores, revisores, tradutores, querem dicas para começar na carreira, alguns iniciantes mais afoitos querem a lista completa dos e-mails e telefones das editoras.

Amigos blogueiros querem que eu entupa a lateral do blog de banners de blogs de comédia, downloads e pornografia. Assim, dizem eles, passarei dos meus poucos visitantes diários para milhares e então poderei monetizar [ganhar muito dinheiro] com o blog [novamente esquecem que eu tenho trabalho, sustento minha família e a de três funcionários com o que faço e não quero ficar rico do dia pra noite].

Mas e eu? Eu quero um blog pra escrever sobre o que eu quiser. Para falar de poesia que eu ache bonita, sem me importar se foi o Fernando Pessoa ou o Mário Quintana quem escreveu. Quero dar links pra livros grátis desde que o autor ou a editora resolveram que assim seria. Quero falar de livros, mercado editorial, edição e revisão de livros, mas sem a neura de ter de explicar tudo timtim-por-timtim, em seus mínimos detalhes. Quero publicar meus próprios textos, mas sem a menor preocupação de ser elogiado, reconhecido ou o escambau. Não sou o Paulo Coelho, não me acho nem uma caçulinha sem gás, quanto mais a última coca-cola do deserto.

Não quero vender elogios, nem linkar meu blog a torto e a direito apenas para ter alguns milhares de acessos a mais. Sinceramente, duvido que meu blog atraia os visitantes do Kibeloco, do Charges.com, do Buzz e semelhantes. Eles têm o público deles, eu tenho meus amigos e minha tia que lê todo dia e comenta comigo tomando café, mas acha chato comentar no blog. Também não quero ficar replicando fofocas do mundo gospel, nem perder meu tempo com a nova disputa eclesiástica nacional. Não quero saber se o Silas Malafaia e o Edir Macedo realmente deram tais e tais golpes. Há séculos que prefiro assistir a outra coisa na TV. Quero perder parte do meu tempo respondendo memes, colando selinhos, respondendo questionários para amigos sobre como era minha vida há dez anos. Até já fiz uma pequena autobiografia, está em algum lugar deste blog.

É isso, se mesmo assim, você quiser, prossiga a leitura. Será legal ter você por aqui. Bom, vamos embora. Tem mais postagens legais a seguir.

postagem original: http://tomfernandes.wordpress.com/2009/03/16/aos-meus-poucos-leitores/

0 thoughts on “Aos meus poucos leitores”

  1. “Poucos” leitores?
    Ora, não seja modesto…falta gente inteligente na net, gente de opinião firme, independente da opinião ou dos ataques dos outros (eternos inconformados com o livre arbítreo que acham que todos devem ser iguais a eles)…
    Acaba de ganhar mais uma leitora.
    Abraço.

  2. Velhoooo, adorei o blog!
    Não sou leitor do KibeLouco, mas passo por lá às vezes. kkk
    Adorei a sinceridade tão espontânea!
    Tai o motivo de, a partir de agora, eu me tornar leitor fiel deste blog.
    Sua escrita é impressionantemente empolgante!
    Quero um livro seu! haha.
    Sucesso!

  3. Parafraseando Voltaire: Posso até discordar de algo que você diz ou venha a dizer, mas vou defender até à morte seu direito de dizê-lo! E viva a liberdade de expressão!

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