Contos, crônicas e outras coisas

da arte da perfeição

— De que adianta a comida ser bem-feita, com carinho, no intuito de alimentar quem se ama? 
— De nada, você usou salsinha e usar salsinha é pecado mortal contra mim.
— De que serve querer a vida saudável, o esporte, a endorfina pelo corpo?
— De nada, você não alcançou as marcas que acho dignas.
— De que vale o riso, a alegria, o humor que nos aproxima?
— De nada, você riu uma vez da coisa errada e vou te lembrar disso para sempre.
— De que serve a devoção, o cuidado, o interesse genuíno em construir uma relação?
— De nada, você não me adora prostrado no chão.
— De que vale buscar o caminho do meio, a consciência, a sabedoria, o aprendizado ao longo dos anos?
— De nada, se você não está pronto para ser perfeito agora.

e assim não aceitamos nada que não seja perfeito.

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