Fé e espiritualidade

O que vale a pena: criar raízes ou bater asas?

Que caminho seguir?
Que caminho seguir?

2014 acabou de acabar, como dizem aqui em Goiás. Foi um ano difícil para muita gente próxima a mim, mas também recompensador para a grande maioria dos meus amigos próximos. Um grande amigo casou, uma prima querida teve sua primeira filha, um amigo querido terminou o mestrado, outro publicou mais um livro, e eu terminei a jornada a que me propus em 2010 e ainda encontrei um grande amor (falarei mais sobre amor e relações nos próximos textos).

E aí vem 2015, 360 dias ainda pela frente (hoje já é cinco de janeiro) e, desculpem o trocadilho infame, ele já começa com a certeza de que será um ano ímpar. Nas conversas recentes, muita gente me disse “Este ano quero criar raízes. Consolidar o que conquistei”, e outro tanto foi enfático “Este ano quero tudo novo. Quero criar asas e fazer tudo o que nunca fiz”. Não há resposta certa ou errada, acredito. Não há aposta que pague mais. O que não se pode fazer é “enterrar o tesouro”, não apostar, não colocar as fichas na sua escolha.

Este texto que você lê agora (e a consequente reativação deste espaço) surgiu de um comentário que recebi neste texto (http://tomfernandes.wordpress.com/2011/05/25/uma-advogada-quer-ser-escritora-e-agora).

No texto, ainda em 2011, falava um pouco sobre uma conversa que tive com uma amiga advogada que queria se tornar escritora. Confesso que não sei em que deu a empreita dela, mas o comentário da Sônia me lembrou de algo: eu gostava pra caramba dessa parte dos textos, dos conselhos sobre a profissão, das dicas para os novatos e dos diálogos com outros profissionais da escrita.

Não sei se você que me lê agora sabe, mas parei boa parte da minha vida profissional nos últimos quatro anos porque quis fazer um rearranjo de rota na minha vida. Trabalho com textos e comunicação há quinze anos. Já dei aulas de redação no ensino médio e em pré-vestibulares, fui contratado de editoras em Goiás, exercendo função de revisor a gerente editorial. Presto serviços de revisão, edição e redação de textos para grandes editoras do Rio e de São Paulo e atualmente também trabalho com comunicação pública.

Todavia, minha primeira formação foi em Letras (curso que abandonei no último ano quando sobraram apenas as matérias pedagógicas e eu não queria mais ser professor), muito embora minha carreira sempre tenha andado muito mais próxima ao jornalismo. Em 2011, quis resolver esta questão e voltei aos bancos da escola dez anos depois. Agora em dezembro de 2014, terminei o curso de Jornalismo e agora me encontro diante do mesmo dilema dos meus amigos: E agora? Criar raízes ou bater asas?

Ainda não achou resposta? Deixa eu compartilhar um pouco do que venho pensando sobre isso, então. Como bom diletante do taoismo, venho aprendendo com a vida que o melhor caminho é o do meio, que a melhor virtude é a moderação e a melhor escolha está longe dos extremos. Assim, que tal um pouco de raiz e um tanto de asas? Pés que sentem a firmeza do chão e pensamentos que alcançam as nuvens? Brinco nos últimos tempos que amar é ter um belíssimo sonho durante a noite e, quando se acorda, descobrir que a realidade é ainda melhor. A vida pode ser assim: belos sonhos e uma realidade reconfortante.

Nos últimos anos, precisei parar de bater tanto as asas para reforçar as raízes. Nos próximos tempos, pretendo descobrir qual a força dessa nova estrutura adquirida. E você? Qual o seu tempo agora? Como você pretende gastar os próximos meses de sua vida? Espero que ache seu caminho e que ele não esteja nos extremos da vida.

O que eu quero dizer? Que é possível um equilíbrio, que não é preciso matar um sonho para alimentar o cotidiano. É o que acabei aconselhando minha amiga no texto lá de 2011, é o que começo a construir para este novo ano e é o que acredito: sonhos se tornam realidade com pequenas ações cotidianas.

Feliz 2015, de novas asas e fortes raízes.

(Este espaço ficou desativado nos últimos tempos por questões acadêmicas e de trabalho. Volta agora, espero que de forma constante e relevante)

6 thoughts on “O que vale a pena: criar raízes ou bater asas?”

  1. Oi Tom! Antes de mais nada: to muito contente com a volta deste espaço.
    O caminho do meio serve como bússola, concordo. Úteis conselhos que só são possíveis porque existe o tal (/o tao) do tempo: eu que sempre fui sonhador, vou te confessar que criar raízes em contato com o céu, para mim, é utopia se não contarmos com a duração a que o tempo nos sujeita. Sua mais recente conquista, por exemplo, teve uma marcação temporal bem considerável.

    Não sei se é possível um equilíbrio, mas se você está dizendo, eu tento acreditar. Acho que todos gostamos do equilíbrio e do consolo de uma posição adequada, mas, cá entre nós, a partir de experiências marcantes e desconcertantes nos dois últimos anos (prioritariamente ruins em 2013 e lindas em 2014), estou muito mais afeito à concepção de que viver é um desequilibrar-se e a identidade em crise não pode ser mais uma lamentação pós-moderna. Me sinto seguro em assumir uma insegurança constante. Na verdade, é uma postura que quis aprender em 2014 com o teatro, onde o ator está sempre em crise.

    To colado aqui na esteira. Sucesso e muito Tao para um feliz ano novo para todos nós!

  2. É, sua reflexão me bate em cheio porque sempre fico pensando no que eu gosto de fazer e como isso poderia pagar minhas contas. Hoje, alcancei um bom lugar profissional dentro do que busquei. Mas sempre soube que não tinha tesão por isso. Minha carreira é pragmática. Mas fico receoso de “nos finalmente” da vida eu ficar com aquela sensação de “Devia ter arriscado mais/E até errado mais/Ter feito o que eu queria fazer”. A questão é justamente o que eu queria fazer. Fiz o que planejei mas não tenho certeza se fiz o que queria. A maior complicação é ainda não saber o que eu quero. Mas seja lá o que for imagino que seja algo que me faça achar a sexta-feira mais um belo e estimulante dia qualquer.

  3. Olá Tom, há quanto tempo! Imagino que só pelo fato de você voltar a ativar este espaço já é um princípio da resposta da pergunta. Não sei se agradeço ou parabenizo pelo texto. De qualquer forma obrigado e parabéns! Seja bem vindo de volta (á raiz deste blog) e que você bata asas rumo á esta nova fase de sua vida! Sucesso!

  4. Esse é um equilíbrio que nunca achei, mas começo a desconfiar…

    Me parece que, para mim, o melhor é trabalhar na consolidação da empreitada atual (cursos, palestras e consultoria em presença online comunicação em uma sociedade hiperconectada) com o próximo sonho (ter boa parte do meu sustendo vindo de escrever histórias).

    E seguir assim pela vida, consolidando velhos sonhos e nutrindo novos 😉

  5. Tom, olha eu aqui novamente!!! rsrsrs

    Confesso que só vi este post hoje, mas gostei muito, principalmente por ter feito você lembrar de como é bom trabalhar com as palavras, e realmente, essa é minha paixão hoje.

    Bem, falando em “asas”, as minhas sempre foram “pequenas”, mas não posso dizer que não tive chances de fazer o que gosto. Tive, mas não as agarrei. Graduei-me em uma profissão que não gostava (Direito) e trabalhei durante 12 anos numa área gostosa, mas muito competitiva (comércio exterior); entretanto, foi na Comunicação que me achei… onde finquei minhas raízes, por assim dizer.

    Acho que já percorri 2/3 da minha vida, mas hoje posso dizer que estou mais “equilibrada”. Tive muitos sonhos e coloquei muitas metas inalcançáveis diante de mim, o que me levaram a crer que nunca conseguiria ser alguém plena e satisfeita. Assim como você é seguidor do Taoismo, eu sou do cristianismo, e há muito aprendi que há tempo para todas as coisas, e nada do que fizemos e que vivemos foi em vão. (Escrevi sobre isso no meu Blog – http://dicasdeumaaprendiz.com.br/wp/2014/04/26/%EF%BB%BFaqui-e-agora-e-isso-que-importa/ ).

    É bom criar raízes, mas nunca deixe de voar, pois é voando que se descobre o valor de voltar para casa! 😉

    Um grande abraço e um 2015 de muito sucesso!

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